quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

TODO DIA (E SEMPRE) É DIA DE CECILIA (MEIRELLES)

A Arte de Ser Feliz
(...)
Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava a sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isto foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, qu eu participava do auditório,imaginava os assuntos e suas peripécias - e me sentia completamente feliz. (...)(...) Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
Adoro esta crônica...

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