domingo, 23 de janeiro de 2011

Carta de Boas maneiras

MAIS CARTAZ DE BOAS MANEIRAS E COMBINADOS PARA SALA DE AULA.

Matemática Divertida, Lúdica e Prazerosa -Trabalho com Histórias !!!


Hoje vamos trabalhar a partir de uma história, o que é bem legal .
Naquela manhã a centopéia acordou mais cedo.
Era dia de comprar sapatos e ela gostava muito de fazer compras.
Levantou, arrumou a sua caminha e foi para a sala tomar café.
A sua mãe já tinha arrumado a mesa.
O café estava quentinho e havia uns bolinhos de que ela gostava muito.- Menina, ande logo, senão vamos chegar muito tarde e não vamos ter tempo de comprar todos os sapatos de que precisamos.
Dona centopéia e a sua filha pegaram nos seus chapéus e nas suas sombrinhas porque estava um sol muito forte e pediram uma boleia ao senhor mosquito.
Quando chegaram à loja, a joaninha veio atende-las.
- Bom dia, dona centopéia, como a sua filha está bonita, faz tempo que a senhora não aparecia.
A centopéia e a sua mãe foram olhar os sapatos que estavam na vitrine.
A centopéia pediu um sapato vermelho muito bonitinho.
A joaninha subiu e desceu a escada, subiu e desceu, subiu e desceu diversas vezes para trazer os pares de sapato para a centopéia.
A joaninha colocou todos os sapatos na centopéia e ela andou um pouco para ver se eles não apertavam os seus pezinhos.
- Dona joaninha, estão muito apertados, não tem um número maior?
E a joaninha subiu e desceu a escada novamente, subiu e desceu diversas vezes para ir buscar sapatos maiores.
Quando acabou de colocar os sapatos nos pés da centopéia, a joaninha não tinha mais forças nem para se levantar.
Dona centopéia, então abriu a sua bolsinha, pagou os sapatos e disse para a joaninha:
- Você hoje está muito cansada. Amanhã eu volto para comprar os meus sapatos.
E a joaninha desmaiou....
É uma história bem curtinha ,mas que dá o que falar...e trabalhar !

Uma das possibilidades foi publicada na Revista do Professor (jan/mar 1999), e é a de trabalhar com quantificação, memorização e classificação : Materiais: uma centopéia de cartolina para cada grupo; sapatos para cada centopéia, de cores e detalhes diferentes; dado da quantidade.
Procedimentos: Após o professor contar a história, divide a turma em equipes e cada uma recebe uma centopéia de cartolina. O professor propõe às equipes que organizem os sapatinhos no centro do grupo, combinando, também, as regras do jogo. Dada a partida, cada equipe, uma de cada vez, atira o dado e pega o número de sapatinhos indicado. A cada rodada, a equipe deverá pegar a quantidade indicada no dado, cuidando, porém, para pegar sapatinhos com detalhes diferentes.
Dicas importante que a equipe
Mathema nos dá :
-conhecer (bem) a história antes de apresentar aos alunos para saber quais as possibilidade de trabalho que ela permite, e se estão adequadas à eles.
-lembrar que nenhuma exploração matemática pode vir antes da própria história , e nem tampouco deturpar o sentido da história.
-o 1º requisito para uma exploração de matemática a partir de um livro de histórias é que as crianças gostem e se envolvam com ele, com os personagens, etc...
-o ideal não é explorar um livro a semana toda, mas aos poucos, com emoção, expectativas, problematizações especialmente preparadas para isto. Fazzendo isto em 1 aula por semana, assim um mesmo livro pode levar 1 ou 2 meses sendo trabalhado com a turma .
-não há necessidade de 1 livro para cada criança - podem trabalhar em duplas ou quartetos, ou o professor poderá ter o livro em tranparência , ou tipo livro seriado...
Espero que gostem . Essa e outras postagens interessantes estão no blog muito criativo da Bety

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

J’ACUSE !!!(Eu acuso!)

J’ACUSE !!!(Eu acuso!) (Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)
Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada.
A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática. No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”.
Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”.
Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.”
Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”.
Afinal de contas, ele está pagando... E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno–cliente... Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça.
Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola,
EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos” e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos comsegundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os “cabeças–boas” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores; Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos-clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia. Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muitaraiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.” Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas.
A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós.
Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário. encaminhado por, Miguel Arcanjo FavorettiProfessor de Informática Educativa