sexta-feira, 22 de maio de 2009

Histórias em Quadrinhos na Escola

JUSTIFICATIVA
De acordo com as pesquisas recentes sobre o processo de aprendizagem e memorização, o ensino de novos conceitos e procedimentos fica mais fácil quando estabelecemos a ligação com o conhecimento prévio do aluno. Segundo Rubem Alves, só conservamos na memória e aprendemos aquilo que nos é significado e possui relações com o nosso universo sócio-cultural.As Histórias em Quadrinhos (HQs), como um recurso de apoio didático, nos permitem abordar conteúdos e conceitos em qualquer área e nível de aprendizagem, por tratar-se de um material comumente acessado pelos alunos para entretenimento e lazer, não encontrando, portanto, resistência por parte deles, como afirma Flávio Calazans, na obra História em quadrinhos na escola.
.O MEC é favorável ao uso de HQs em sala de aula, tanto que o incluiu nos PCNs de Língua Portuguesa.A revista Nova Escola, publicou em abril de 1998, uma reportagem de capa, sob o título: Quadrinhos- poderosa ferramenta pedagógica, a respeito do uso em sala de aula. Para ter acesso, consulte o site www.novaescola.com.br/edicoesanteriores. Na matéria há depoimento de professores que afirmam que 100% dos alunos gostam de Histórias em Quadrinhos.Portanto, é pertinente e recomendável o uso de Histórias em quadrinhos em sala de aula e, nesse sentido, elaboramos o presente projeto, que visa contribuir com subsídios norteadores do trabalho do professor em diferentes níveis de ensino.Na elaboração das atividades, procuramos selecionar atividades que pudessem constituir etapas básicas: conhecimento de gêneros e subgêneros, comparação, diferenciação de quadrinhos, produção nos diferentes subgêneros e montagem de gibiteca na escola. A execução das atividades baseia-se na construção de conhecimentos específicos de disciplinas e valores humanos, bem como percorrem o caminho da interdisciplinaridade. Procuramos direcionar os conteúdos de acordo com o nível de ensino, em propostas para o Ensino Fundamental, nível I e nível II, e para o Ensino Médio.O professor pode escolher as que melhor satisfizerem as necessidades do seu planejamento, modifica-las ou incluir outras que melhor lhe provirem.
Informações gerais:
Público alvo: Ensino Fundamental e Médio.
Temas transversais: valores humanos.
Projeto interdisciplinar: Histórias em Quadrinhos - uma ferramenta didática.
Interdisciplinaridade: Arte, Língua Portuguesa, História, Geografia, Informática e Ciências.
Objetivos:
Ampliar a capacidade de observação e de expressão;
Despertar o prazer estético;
Aguçar o senso de humor e a leitura crítica;
Correlacionar mensagem verbal e não-verbal;
Correlacionar cultura informal e formal;
Conhecer e respeitar as variantes lingüísticas do português falado;
Desvendar as formas coloquiais da linguagem;
Dominar conceitos relacionados às áreas do conhecimento;
Aproximar as informações científicas, artísticas e históricas do universo social do aluno;
Produzir textos;
Desenvolver o protagonismo juvenil e a autonomia na elaboração e execução de projetos escolares.
Você sabia?
Revistas já foram jogadas na fogueira: Acusadas de má influência sobre a juventude, elas foram vítimas de uma caça às bruxas. Rotulados de subliteratura, os gibis já foram acusados de serem a causa principal da delinqüência entre os jovens americanos dos anos 50. Nesse período, marcado pela intolerância ideológica, era comum a queima, em praça pública, das revistas consideradas inadequadas.
Uma pesquisa feita na França sobre os personagens bíblicos e literários mais conhecidos apontou o ratinho Mickey como o segundo colocado, com 97,7% de indicações. Em primeiro, Jesus Cristo, com 100%. Fonte: Revista Nova Escola on line.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ACORDO COM AS ÁREAS DE INTERESSE
Ensino Fundamental Ciclos I e II
Os quadrinhos são um ótimo recurso para a alfabetização.Os textos são coloridos, curtos e sua linguagem, verbal e não verbal, são adequadas à compreensão de sua mensagem pelos pequenos.
Atividades:
È hora de ler gibi! : Inicie com uma conversa sobre a leitura de gibis: gostam, não gostam, personagens favoritos etc. Marque um dia para que tragam gibis e os leiam durante a aula.
Correlação entre o texto verbal e o visual: Explore os desenhos como elementos significativos da mensagem.
1. Expressão dos personagens: Ao lerem gibis, oriente-os para que observem cada quadrinho com atenção aos gestos, expressões faciais e mudanças no tom de voz dos personagens (pelo desenho das letras). Após proponha que alguns alunos contem o que leram para a classe. Podem apontar as imagens do gibi para facilitar a exposição da seqüência dos acontecimentos na história.
2. Descrição de personagens: Após a leitura e releitura das HQs, propomos que os alunos observem as características das personagens. Por exemplo: a Mônica usa um vestido vermelho, é dentuça e tem um coelhinho azul de pelúcia.É muito forte, amiga da Magali, é líder da turma, mas bate nos amiguinhos; o Cascão não gosta de tomar banho, tem medo da água e é amigo inseparável do Cebolinha etc. Procure orientar as crianças para que localizem valores positivos e negativos nos personagens, fazendo um balanço de sua personalidade.Para registrar esses dados, faça, junto com os alunos, uma lista contendo o nome da revista, personagens e características.
3. Leitura oral: A leitura compartilhada é um ótimo recurso para o avanço do domínio da escrita. Divida a classe em pequenos grupos ou pares de alunos e providencie um gibi do mesmo exemplar para cada grupo. Escolha um episódio e leia-o para a classe, em voz alta e com ênfase na entoação das falas. Em determinado ponto, pare e peça que um aluno continue a leitura. A tarefa é passada para a próxima criança, até que todos tenham lido. 4. Criação de diálogos: Selecione algumas HQs, cubra a frase nos balõezinhos com sulfite e xerocopie-as. Proponha a classe que criem falas para os personagens, a partir da observação da imagem.Conhecendo a estrutura do texto: Explique às crianças que os quadrinhos também são do gênero narrativo, pois “contam” uma história inventada, com começo, meio e fim. No entanto, tem sua estrutura própria. Por isso, vamos estudar a estrutura do texto em quadrinhos e compará-la com a de outros textos narrativos.
1.Marcadores do discurso direto: Nos quadrinhos os marcadores das falas dos personagens são os balõezinhos. Use as revistas trazidas pelos alunos para que identifiquem e localizem a fala do narrador e a fala de personagem. Espera-se que percebam que a fala dos personagens está nos balões e a do narrador, no canto do texto. Registre as conclusões na lousa, com exemplos.Após, apresente um texto narrativo em outro subgênero, como uma fábula, por exemplo. Faça a leitura expressiva: leia para os alunos, ou leia com os alunos, cada um representando um personagem. Faça-lhes perceber a pontuação que marca o discurso direto no texto. Registre as conclusões conceituais na lousa, podendo citar exemplos do texto.
2.Mudança dos marcadores de discurso: Desafie-os a escolher uma HQ e a transformar o texto usando a estruturação comum das narrativas. Apresente exemplos da mudança na lousa.Caso os alunos tenham dificuldade, podem mudar apenas alguns quadrinhos.
3. Expressão Escrita: Ortografia: Selecione, ou peça para os alunos trazerem, em data estipulada, gibis do Chico Bento, de Mauricio de Souza. Permita que leiam e se divirtam com a simpatia e a simplicidade do personagem. Incentive os alunos a contarem o que acharam engraçado na história. Desafie-os a identificar as palavras que Chico Bento “fala” errado. Diga-lhes que nas falas do personagem há muitos registros da linguagem oral e regional. Quanto à linguagem regional, peça que identifiquem marcas da região rural. Após, em relação aos erros ortográficos na escrita, explique-lhes que a escrita depende de uma convenção, que é a ortografia, criada para unificá-la e facilitar o entendimento do que se lê.Num trabalho em duplas, desafie-os a localizar e corrigir os erros ortográficos. Podem consultar o dicionário, se necessário. Sugerimos a elaboração de uma tabela em cartolina e expô-la para a classe.
Exemplo:
Chico Bento Regra ortográfica: Sem-vregonhera /Sem-vergonhice /Aminhã /amanhã
Produção de HQs:
Agora que os alunos já conhecem as características estruturais da HQs, sugira que produzam histórias em quadrinhos. Os professores de Português, Matemática e Arte podem trabalhar juntos neste projeto e aproveitar para ensinar conteúdos de suas disciplinas como produção de texto, medidas e criação de desenhos, por exemplos.Os professores de Geografia, Ciências e História podem solicitar que os alunos produzam HQs a respeito de fatos científicos, geográficos e históricos de sua disciplina. A atividade também pode contribuir com a abordagem de Temas transversais e constituir um acervo sobre valores humanos e questões da nossa época. Para tanto, recorra às orientações descritas na obra.
1. Mudando o final da história: Selecione algumas histórias e tire cópias apenas do seu inicio até a instalação do conflito. Peça aos alunos que desenhem e criem sua seqüência até o desfecho.
2.Atividades para os diferentes níveis de aprendizagem: Nas séries iniciais, podem recortar gibis e montar novas histórias com seus personagens favoritos; nas demais, podem copiar a imagem de seus personagens favoritos na criação de histórias ou até mesmo, criar novos personagens.
Lembre-os de dar um título atraente para sua história.
Produto final: A coletânea das HQs criadas pela turma podem ser organizadas em forma de gibis e disponibilizadas na sala de leitura ou gibiteca escolar.
Roda de GibitecaSugira que os alunos tragam gibis de casa, para trocarem. Permita que eles mesmos escolham e recomendem as melhores HQs para os outros. Cada aluno poderá levar uma quantidade estipulada de gibis para a casa. Em outro dia, reúna a roda novamente para que comentem suas leituras. Ninguém deve ser obrigado a ler, e nem a leitura cobrada, mas com certeza, o movimento em torno da Roda da Gibiteca atrairá cada vez mais alunos. Sugerimos o que o controle de retiradas seja feito nas aulas de Matemática.
Matemática
1. Contagem do acervo da Gibiteca:
Distribua, entre os alunos, responsabilidades no controle do acervo da gibiteca. Um grupo pode catalogar o acervo, por coleções.Para organizar todo o material, podem criar uma tabela para registrar cada nova aquisição na coluna correspondente ( Turma da Mônica, Disney, Super- Heróis e outros).2. Controle de Retiradas: Dois grupos podem controlar esse item: um para a entrada e outro para a saída de exemplares. Para isso, podem elaborar carteirinhas de empréstimos e estipular, em comum acordo com a classe, as regras de empréstimo. Ao final da semana e do mês, deverão contar o número de exemplares, o número de coleções, a quantidade de entradas e saídas no mês. 3. Levantamento de dados: A cada mês podem fazer um levantamento do percentual de cada item. Após, deverão criar um gráfico dos mais lidos, alunos que leram mais. Ao final do bimestre podem criar um gráfico estatístico comparativo entre os itens dos dois meses. 4. leitura de gráficos e tabelas: Poderão expor a leitura do gráfico para a classe, citando se houve queda ou aumento dos itens citados. A classe deverá emitir sua opinião sobre os resultados.5. Problemas práticos (adaptação de atividades da revista Nova Escola on line)
Se alguém levasse sete dos nossos ____ (número maior) gibis, quantos sobrariam?
Já temos treze exemplares em nossa gibiteca. Somos ___ (número de alunos) em classe. Quantos gibis faltam para que cada aluno possa pegar um emprestado sem sobrar nenhum?
Temos ___ revistinhas da Turma da Mônica e ___ da Disney. Quantas mais da Disney precisamos arranjar para ter a mesma quantidade nas duas colunas?
Se na próxima contagem verificarmos que, em vez de ___, temos ___ (número maior) gibis, o que terá acontecido?
E se acontecer o contrário, em vez de ____, temos ___ (número menor) gibis, o que terá acontecido?
“Aquele que admira a arte, é aquele que mais tem sentimento.”
(Mago Inir)
Sugestao cedida pela colega: Elisangela M. Mulker Bridi

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