sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Continuaçao: RELIGIOSADE SEM RELIGIÃO

Ele é uma bela peça de arquitetura. Por que você o está destruindo? Ele não faz mal a ninguém.’
E a pessoa diz, ‘Sozinha? Não, sozinha eu não conseguiria fazer isto, mas todo mundo está fazendo. E eu também sou um hindu e os hindus têm que estar unidos.’ Unidos para que? Para matar e queimar pessoas vivas? Por milhares de anos, as religiões nada mais têm sido senão matar, assassinar e queimar. E toda a estratégia delas é que a multidão tem sua própria psicologia. Simplesmente não deixe que o indivíduo esteja separado, caso contrário você não conseguirá fazer com que ele estupre uma mulher, queime uma casa ou mate uma criança. Basta mantê-lo dentro da multidão e quando todo mundo estiver fazendo alguma coisa ele começará a fazer também, o seu animal saltará para a superfície. Certa vez eu estava sentado numa livraria e de repente ocorreu um levante. Do outro lado da rua havia uma loja muito bonita cheia de relógios. E as pessoas começaram a tirar os relógios. E um velho homem estava gritando bem alto, ‘Isto não é correto! Se hindus e muçulmanos estão em luta, vocês podem lutar. Mas tirar as coisas das lojas... Eu não vejo nenhuma religião nisto.’ Eu estava na livraria e o ouvia, mas ninguém estava ouvindo o velho homem. Eu conhecia aquele velho homem; nós costumávamos nos encontrar de vez em quando em nossas caminhadas matinais e conversávamos sobre alguns assuntos. Ele era um homem muito bom e tinha uma abordagem muito filosófica a respeito da vida. Ele era muçulmano e era uma multidão de muçulmanos que estava destruindo uma loja de um hindu. Quando terminaram com toda a loja, ficou restando apenas um grande relógio de parede. Ele era muito grande e ninguém quis levá-lo porque seria facilmente visto. Por onde a pessoa fosse, ele seria visto. Ele teria que ser carregado nas costas.
Mesmo assim o velho homem pegou o grande relógio.
Eu não pude acreditar naquilo. Eu me aproximei da loja e disse, ‘Espere! O que você está fazendo?’
Ele disse, ‘O que mais eu poderia fazer? Eles tinham levado tudo e somente restou este relógio. Assim, eu disse para mim mesmo, agora, o que fazer? Eles não me ouviram. Eu tentei de tudo para salvar a loja. Mas quando eu vi que todos os relógios já tinham sido levados, de repente um desejo cresceu em mim - O que você está fazendo aqui, de pé, como um tolo? Pegue este que sobrou e leve para casa -. E eu estou indo.’ Eu disse, Você está perfeitamente certo. Você ganhou isto. Você gritou, você fez o que pode. Você não está roubando, eu sou testemunha. Se surgir algum problema, você pode me chamar. Você fez o seu trabalho, o trabalho religioso de ensinar as pessoas. Ninguém ouviu você e o dono da loja fugiu com medo de ser morto. Agora isto é puro ganho. Você, com sua idade avançada, desperdiçou todo o seu dia. Eu posso ajudá-lo?’
Ele disse, ‘Não me faça sentir vergonha. Este relógio é tão grande e minha casa é tão distante.’
Eu disse, ‘Deixe-me ajudá-lo, do contrário você, sendo um muçulmano, pode ser pego por algum hindu. E ninguém acreditará que você comprou este relógio, numa hora desta em que as pessoas estão levando tudo da relojoaria.’
Ele disse, ‘Você está certo. Então faça uma coisa: chame um táxi, se puder. Ele é muito pesado.’
Eu disse, ‘Eu chamarei um táxi.’ Chamei um táxi. Enquanto estávamos em pé na beira da calçada, muitas pessoas se reuniram para ver o que estava acontecendo. Eu disse, ‘Não há problema algum. Ele ganhou o relógio, ele mereceu.’
Ele se sentiu tão envergonhado quando o táxi chegou e disse, ‘Não, isto não é correto. Ponha o relógio de volta, deixe-o no passeio. Alguma outra pessoa irá levá-lo.’
Eu disse, ‘Alguma outra pessoa irá leva-lo, não importa quem seja.
Simplesmente sente-se no táxi e leve-o consigo.’ No dia seguinte, quando eu o vi na praça, disse-lhe, ‘Como vai o relógio?’ Ele disse, ‘Eu não consegui dormir por toda a noite. Ele fazia um tick-tack, tick-tack que me lembrava, - Meu Deus, eu roubei este relógio, contrariamente a toda minha filosofia e todos os meus ensinamentos religiosos -. E eu estava advertindo as pessoas. Isto não é um prêmio, isto é uma punição. E minha esposa ficou brava e disse, ‘Você ficou velho, mas na verdade é um idiota. Enquanto as pessoas estavam levando lindos relógios de pulso, você me trouxe esse tick-tack. Você não consegue nem dormir. Jogue ele fora.’ Minha esposa colocou-o na garagem e eu estou pensando de que maneira posso devolvê-lo.’
Eu disse, ‘Esta é uma boa idéia. Eu devo chamar um táxi? Mas, você não deve ir lá devolvê-lo. Eu irei, senão você será pego.’
Assim, eu fui devolver o relógio. E o homem disse, ‘Como você se envolveu nisto?’
Eu disse, ‘Esta é uma longa história. Mas nós pudemos recuperar pelo menos um: este grande relógio. Quanto aos outros, eu sei quem os levou, eu estava observando. Eu posso lhe dar alguns nomes, mas será muito difícil encontrá-los. Este aqui foi levado por um velho homem, mas a sua esposa não conseguiu agüentar esse ‘tick-tack’. Ele próprio viria trazê-lo de volta, mas eu lhe disse, ‘Isto é perigoso, ainda existe uma tensão no ar.’ Assim, apenas aceite-o de volta. Mas quando a tensão se acalmar, lembre-se que aquele velho homem tentou de tudo, mas por fim o animal saltou à superfície e quando ele viu que ninguém o estava ouvindo, ele pensou, ‘Somente eu estou perdendo, todo mundo está ganhando alguma coisa.’ Pura economia apenas.
As religiões nada mais são que psicologia de massas, psicologia de multidão, e as massas ainda estão em seu estado animal. Elas ainda não são seres humanos. Existem seres humanos individuais, mas não existem multidões que sejam humanas. As multidões imediatamente escorregam, retornam e se tornam inconscientes. Assim, não existe problema para o indivíduo se tornar religioso. Você só precisa entender o que significa religiosidade: Seja agradecido à existência e curta a bela vida que o circunda. Ame, porque o amanhã não é certo. Não adie qualquer coisa bela para amanhã. Viva intensamente, viva totalmente, aqui e agora. E não há necessidade alguma de ser um muçulmano ou um hindu. E você descobrirá um tremendo êxtase crescendo. É o seu paraíso.
O paraíso não está em algum lugar, onde quer que seja. O paraíso é um espaço dentro de você.”
OSHO – The Osho Upanishad- Disc. 35 – pergunta n° 2
Tradução: Sw. Bodhi Champak Copyright © 2006
OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.Todos os direitos reservados.

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