sexta-feira, 25 de junho de 2010

Paulo Freire e o Líder como Educador

No blog da HSM foram publicados dois posts muito interessantes sobre a questão da educação. Em um deles é citado um dos maiores educadores mundiais, o brasileiro Paulo Freire. Como estudioso, ativista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais do que uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico-libertadora . Em sua proposta, o ato de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como “ponto de partida” para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através da relação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade. Paulo Freire representa um dos maiores e mais significantes educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.Seu pensamento rompeu a relação cristalizadora de dominação, buscando pensar a realidade dentro do universo do educando, construindo a prática educacional considerando a linguagem e a história da coletividade elementos essenciais dessa prática. Seu trabalho revela dedicação e coerência aliados a convicção de luta por uma sociedade justa, voltada para o processo permanente de humanização entre as pessoas onde ninguém é excluído ou posto à margem da vida. Paulo Freire provou que é possível educar para responder aos desafios da sociedade, neste sentido a educação deve ser um instrumento de transformação global do homem e da sociedade.O principio central da proposta pedagógica do professor Paulo Freire é o da educação transformadora, na qual a educação é uma atividade onde professores e alunos, mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo da aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa mesma realidade, a fim de nela atuarem para transformá-la, ou seja, a principal característica da proposta é refletir sobre a própria realidade, para que seja possível levantar hipóteses e procurar soluções para transformar a realidade.Paulo Freire rejeitava as tendências que buscam formatar o aluno como ente passivo e mero receptor/repetidor de conteúdos formatados. A experiência revela que os indivíduos assim formatados se tornam medíocres, sem estímulo para a criação. Um educador nega a educação e forma seres de consciência ingênua quando acha que os educandos devem repetir o que ele diz em sala de aula. Isso significa tratar o aluno como objeto e não reconhecê-lo como sujeito do processo educacional.Diante disso, o homem não é um ser para adaptação, uma vez que adaptar significa acomodar, contrapondo-se a criar e transformar indo contra o ímpeto próprio do ser humano que é a criação.Agora, vamos traçar um paralelo com o papel dos líderes nas empresas. O líder deve ter um compromisso com a formação e o desenvolvimento das pessoas. Líderes são inconformistas por natureza e, por essa razão, estão sempre em busca de quebrar paradigmas, principalmente aqueles ilustrados pela famosa frase “Aqui sempre foi assim” que caracteriza a repetição eterna de ações e posturas. Seu compromisso deve ser com a transformação das pessoas e da realidade.Seu compromisso deve ser encarar a realidade de frente, por mais que ela seja cruel e pertubadora, atuando com franqueza e com compromisso com a ética e não com a visão míope de pessoas paralisadas pela tentativa de manutenção do status quo.Deve atuar mais com perguntas do que oferecendo respostas. Questionar é preciso. Diante disso, terá que adotar uma postura mais humilde e menos competitiva com sua equipe. Terá que exercer a função do lider moderno que é transformar o conhecimento em resultados. Deve exercer sua liderança a partir das pessoas que compõem a sua equipe, assim como o educador deve atuar a partir da realidade do educando. Ao invés de impor, deve desafiar sua equipe a buscar soluções para os problemas que surgem no cotidiano das empresas, atuando efetivamente na construção do futuro da empresa. Deve ter o compromisso com a formação de pessoas com espírito critico e questionador das muitas verdades absolutas existentes dentro das empresas.Durante todo esse processo, deve adotar postura humilde de aprender com seus colaboradores focando nos benefícios da interdisciplinaridade e da troca de experiências que concretizam a idéia da mútua dependência entre as partes e o todo. A relação deve ser horizontal dentro de um processo democrático de aprendizagem mútua, pautada pelo respeito e o diálogo por meio da troca de experiências. Assim como Paulo Freire preconizava que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender, o líder deve estar preparado para liderar e ser liderado pela sua equipe.Não estamos mais em tempos da economia industrial, os chamados “Tempos Modernos”, em que o princípio vingente era o da repetição desvinculado do pensamento. Estamos em uma nova economia, a economia do conhecimento, da sabedoria e das pessoas. Isso muda tudo na relação de liderança com as equipes fazendo com que o líder cada vez mais tenha que adotar o papel de educador dentro das empresas, encarando de frente a realidade e buscando a transformação da empresa e o compromisso com a ética e a sustentabilidade.

2 comentários:

  1. Parabéns, seu blog é ótimo, seu conteúdo é muito bom. Paz e seja bem vinda ao Mulheres Sábias. bjs

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  2. Colocarei o seu blog nos meus favoritos. bjs!

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